domingo, novembro 27, 2005

NARITA 017 - 2005/11/27

Mais uma vez a viagem com partida e chegada a Narita foi efectuda em piloto automático, no entanto esparamos que tenham tido uma excelente viagem musical pelas sonoridades japonesas em especial a electrónica mais calma, o trip-hop.

Equipa de bordo: Fernando Ferreira

Destino: Electrónica

Alinhamento:

1. Mind Expansions - Kyoto Jazz Massive
2. Danger of Love -
Dj Krush feat. Zap Mama
3. Sound Spiner in Sri-Lanka - World Famous
4. Love runs faster -
Silent Poets feat. Ingrid Schoeder



5. Insensatez - Ryuichi Sakamoto
6. Ekot - Sketch Show
7. Hikari - Mondo Grosso feat. Ua
8. Be a Superman (YMO rmx) -
Towa Tei
9. Dolphin Dance - Soul Bossa Nova
10. Speak Low - Anne Young & Yuji Ohno Trio



Em final de viagem aproveito para recomendar uma pequena visita durante a próxima semana ao Nippon Koma, festival de cinema japonês que irá decorrer durante os dias 28 de Novembro a 3 de Dezembro na Culturgest (Lx).

quarta-feira, novembro 23, 2005

The Penelopes - Eternal Spring



O Narita decidiu também dar alguns conselhos para futuras viagens musicais pelos céus do País do Sol Nascente. A primeira proposta são os The Penelopes com o seu último album de 2003.

Criados em 1993 por Tatsuhibo Watanake, os The Penelopes (nome retirado da série dos anos 70, Thunderbirds) são uma banda pop com influências da brit-pop dos anos 60 e 80, e mais recentemente da pop vinda dos países nórdicos. Juntamente com Watanake estão, a baixista Chigusa Miyata e o baterista Kazuki Nashimoto.

Tatsuhiko Watanabe, o líder da banda e autor quase de todos os temas deste sexto trabalho dos The Penelopes "Eternal Spring", um disco bastante leve onde as melodias simples e harmoniosas são acompanhadas por letras inocentes e que fazem com que este estilo Indie japonês seja atraente e que facilmente nos leva sem que ofereçamos qualquer resistência.

Eternal Spring, traz-nos muitos momentos agradáveis com várias músicas em formato lo-fi. São perfeitamente visíveis as influências do beat britânico, do movimento flower power e das consequentes leituras que se fizeram da pop com o new wave. Este disco fala-nos de coisas banais e mundanas, pessoas que passam na nossa vida, confissões amorosas e a chegada da primavera (uma data especial para os japoneses) com o tema "Eternal Spring" e que dá nome ao título do album.

São várias as canções que nos fazem recordar outros temas. Logo a abrir o album "Vehicle", relembra-nos os coros dos The Temptations com o clássico tema "My Girl", "Let's Get Going Again," são os anos 60 por exelência, o sinistro "From Head to toe", um dos melhores temas do disco, "Girld With a Golden Heart" a "cheirar-nos" ao sol da Califórnia, "Mrs. Meadow Rue", com uma leve influência à mítica banda de Liverpool, os Beatles, "Twinkle in the Rain" soa-nos a uma voz masculina à lá Elizabeth Frazer (Cocteau Twins), e uma confissão amorosa em "Split Milk", música que fecha este album pop de uma das mais importantes bandas do país do Sol Nascente.

Cada música do album é uma nova influência, e ao escutá-las inconscientemente fazemos um jogo para adivinhar de onde veio este ou aquele acorde. Algumas faixas de Eternal Spring tem um efeito atractivo pela simplicidade das canções que são alegres e naifs, também notamos a "falta" de som propositado em alguns dos temas, o que ajuda para criar um ambiente retro. As vocalizações e a sonoridade dos instrumentos estão em perfeito uníssono.

Eternal Spring é para se ouvir em tardes nostálgicas de inverno e um disco que não desiludirá aos fãs do estilo lo-fi.

domingo, novembro 20, 2005

Gomen nasai

Por motivos desportivos o vôo Narita 017 não pôde ser efectuado este sábado, por isso a equipa de bordo diz a todos os passageiros ごめんなさい pelo sucessido. Também avisamos desde já que a viagem de dia 23 (03h-04h) terá o mesmo destino que o vôo Narita 015.

ごめんなさい - Lê-se GOMEN NASAI e é o termo japonês utilizado para pedir desculpas.

terça-feira, novembro 15, 2005

Eventos Culturais | Embaixada do Japão - Novembro

EXPOSIÇÃO DE IKEBANA - Arte Japonesa de Arranjos Florais

A Embaixada do Japão, em colaboração com a Ikebana Internacional e a Câmara Municipal de Lisboa/Museu da Cidade, têm o prazer de promover durante três dias esta arte tradicional japonesa de arranjos florais - a Ikebana - com o objectivo de fomentar o intercâmbio cultural entre os dois países através das flores. Venha visitar esta exposição e perceba o motivo pelo qual a Ikebana é uma arte milenar no Japão.

[ dias 18,19 e 20 de Novembro, no Museu da Cidade Campo Grande, 245 - Lisboa ]


ORIGAMI DE NATAL - Arte Japonesa de Dobragem de Papel

Dias 22 e 28 - para professores do ensino básico
Dias 25 e 29 - para o público em geral
Das 14h30 às 16h30

- Inscrição gratuita e obrigatória por fax ou email

- Fax número: 21 354 39 75
- Email: cultural@embjapao.pt

Nota: O Sector Cultural confirmará a sua inscrição por telefone ou email

segunda-feira, novembro 14, 2005

O mundo do j-pop está de luto

Recentemento o Japão assistiu à perda de dois artistas.

Takahashi Hiro morreu no dia 4 de Novembro devido a um tumor maligno. Tinha 41 anos. Takahashi era mais conhecido pelas suas participações como cantor em séries de animação como por exemplo Bottle Fairy, Yu Yu Hakusho e alguns temas promocionais de Digimon.

Também faleceu no passado domingo (5 de Novembro) com 38 anos vitima de leucemia, Minako Honda, uma artista jpop que interpretou vários temas de séries de anime como por exemplo: Ashita no Nadja, Hunter X Hunter ou ainda Magic Knight Rayearth 2 . Ficou conhecida pelo seu papel no musical "Miss Saigon" onde interpretou o papel de Kim.

NARITA 016 - 2005/11/12

Deste lado equipa reduzida a Fernando Ferreira e Olga do Vale, enquanto Sara Mendes se passeia pelas ruas de Paris. Prontos a dar inicio a mais uma viagem a partir de NARITA, hoje viagem número 16. Todos os sábados pelas 21 horas repetimos o código de embarque: terminal 107.9, aeroporto internacional de Tóquio, NARITA.

Hoje recuperamos um tema que já foi abordado numa das primeiras viagens do NARITA, mas desta vez com uma roupagem masculina. Boysbands japonesas são o nosso destino de hoje.

Equipa de bordo: Fernando Ferreira e Olga do Vale.

Destino: BoysBands

Alinhamento:

Começamos com os Da Pump, uma banda de rapazes dedicados ao Hip Hop e oriundos de Okinawa. Em 2003 seguiram carreiras a solo.

1. If - Da Pump

Segundos passageiros de hoje, a banda liderada por Masahiro Nakai, os SMAP. Os 5 elementos do grupo juntaram-se em 88, e em 91 lançaram o primeiro de muitos singles de sucesso. A carreira dos SMAP vai bem além da música, passando por programas de televisão, filmes e publicidades variadas. Com uma carreira sólida os 5 rapazes aguentam-se heroicamente em actividade, não se deixando abalar pelos escândalos onde por vezes se vêem envolvidos.

2. Touch me, Kiss me - SMAP
3. Hitotsu Take no Hana - SMAP

Os KINKI KIDS são oriundos de outras boysbands de sucesso, este projecto da Johnny & Associates conta com a participação da dupla Tsuyoshi Domoto e Koichi Domoto. A música “Garasu no Shounem” marcou o início da carreira deles em 1997 e rapidamente chegaram a número 1, constando mesmo do livro do guiness como a banda com mais singles número 1 no Japão. A par da carreira de músicos gerem uma conseguida carreira na área da representação, tendo entrado em diversas séries e publicidades de televisão.

4. Solitude - Kinki Kids
5. Winter Kill - Kinki Kids

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E é da Johnny & Associates que nos chega a próxima boysband, de onde aliás, chegaram todas as outras bandas que por aqui passaram. Estes senhores são uma verdadeira fábrica de bandas de sucesso. Com nome de motor, os V6, iniciaram a sua carreira há 10 anos com o tema: Music for people. Os 3 elementos originais da banda foram substituídos por outros elementos mais novos, porque as leis do mercado assim o ditam. O trio original tem como cognome Século XX, e os novos elementos são os V6 - Coming Century. Todos juntos contam com quase 30 singles, 12 álbuns e um número quase igual de reproduções vídeo e DVD.

6. Change the World - V6
7. Singles no
Stop - V6

Hideaki Takizawa e Tsubasa Imai, ambos de 23 anos, são os senhores que se seguem debaixo da pele da banda TACKEY & TSUBASA. 2003 é o ano de formação de mais um produto da Johnnys, que desta vez aliaram o extraordinário talento para a dança de Tsubasa à carinha laroca de Takizawa. 5 singles e 2 álbuns compõe a discografia da dupla, que conta já com alguns top 10.

8. The World Will Never Forget - Tackey and Tsubasa
9. Sora no Sukuri - Tackey and Tsubasa

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Para o fim mais um quinteto, mais uma boysband, mais uma banda com o carimbo da Johnny’s. Os ARASHI estrearam-se pelo ano de 99, em Honolulu no Hawai, com o single A RA SHI, frente a 80 mil pessoas. Como as bandas que para trás ficaram, publicidade e séries de televisão também constam dos currículos destes rapazes, que são conhecidos e reconhecidos pelo porte físico e pelas coreografias elaboradas.

10. Ok, Allright iikoi Wo Shiyou - Arashi
11. Kansha Kangeki Ame Arashi - Arashi


Minutos finais de NARITA com toda a equipa de bordo pronta para aterrar em segurança. Nós por cá, e por lá no Japão, despedimo-nos e voltamos à mesa hora na próxima semana.

Sayounara.

sábado, novembro 05, 2005

NARITA 015 - 2005/11/05

Pedimos desculpas a todos os passageiros que viajaram connosco até Narita. A tripulação que esteve ao comando do vôo NARITA015 promete que o plano da viagem será colocado na totalidade o mais rapidamente possível.
Por enquanto podem ficar com os 40 primeiros minutos de vôo e respectivos destinos.

01. Seagull Screaming Kiss Her Kiss Her - Walk This Way (Run DMC/Aerosmith)
02. Cokehead hipsters - Video kill the radio stars (The Buggles)
03. Nami Tamaki - High School Queen
04. Cubismo Gráfico - Ave Maria (Schubert)
05. Bon Voyage - Smell like teen spirit (Nirvana)
06. Ishigaki Airi - Anarchy in U.K. (Sex Pistols)
07. Naomile - I Fought The Law (The Clash)
08. Neco - Roxanne - (The Police)
09. Fantastic Plastic Machine - September (Earth, Wind & Fire)
10. Shibano Mariko - New Years Day (U2)

O resto da viagem será colocada assim que tivermos os planos de viagem descodificados.
Obrigado pela vossa compreensão.

terça-feira, novembro 01, 2005

Parabéns Hello Kitty ! ! ! !

A gata mais famosa do Japão e talvez do mundo completa hoje a bonita idade de 31 anos. Nascida no "longinquo" ano de 1974 na casa Sanrio, desde logo se tornou num icon para toda uma geração japonesa e mais tarde mundial.

Não sei se foi presente de aniversário ou não mas a companhia aérea EVA Air decidiu dar este brinde à Kitty-chan. As imagens valem mais do que mil palavras...

Tanjoubi omedetou Kitty-chan ^_^;

sábado, outubro 29, 2005

NARITA 014 - 2005/10/29

Boa noite. Prontos para o décimo quarto vôo com partida de NARITA. Hoje a bordo convosto estão o piloto Fernando Ferreira e eu Sara Mendes a monotorizar a altitude de vôo. Partida do terminal 107.9, Aeroporto Internacional de Tóquio, NARITA.

Viajamos hoje com o destino à música alternativa, ou, se perferirem, música indie japonesa. À semelhança de outros panoramas musicais, também no Japão e diversidade de estilos é enorme e, tal como acontece sempre que se tenta catalogar bandas, pode falar-se de um estilo Indie nipónico. A viagem do Narita de hoje tem como passageiros algumas das bandas conotadas com este estilo, como os primeiros a embarcar esta noite, os Ocean Lane com Sign.

01. Ocean Lane - Sign
02. Penpals - I guess everything reminds you

Encontraram-se nos mesmo círculos musicais na universidade - um tocava bateria, o outro tinha uma voz entre o infantil e o maníaco. Pouco depois acrescentaram um baixista à formação e assim surgiram os Sambomaster, de Takeshi Yamaguchi, Yasufumi Kiuchi e Yoichi Kondo. Alcançaram maior reconhecimento deste lado do mundo com o tema de abertura da série de animação Naruto, com que ficamos nos próximos minutos.

03. Sambomaster - Seishun Kyosokyoku
04. Hoover's Ooovers - Sode no nai buruu no wanpiisu
05. Yougurt Pooh - Outsider

Há quem se questione se há estilo musical que a banda que se segue não consiga interpretar. Masahiko Shimura, dono de uma versátil voz conheceu Takayuki Watanabe no liceu; decidiram formar uma banda e foram buscar o nome à fábrica do pais de Watanabe. Falamos dos Fuji Fablic, que mais tarde vieram a incorporar também o teclista Tadakoro Sachiko. Após o lançamento de 3 álbuns, Watanabe deixa a banda alegando divergências criativas, mas os Fuji Fablic prosseguiram, estando mesmo prontos a lançar um novo álbum já no dia 9 de Novembro (2005). Ouvimos já de fundo o singles que lançaram em Fevereiro deste ano - Ginga.

06. Fuji Fablic - Ginga

Narita RadioShow

07. Ellegarden - My favorite song

Corria o mês de Dezembro de 1998, quando, em Fukuoka, Abe Kousei, Itou Shinichi, Abe Mitsuhiro e Nakayama Akihito decidiram formar os Sparta Locals, cujas actuações foram descritas pelo líder dos Quruli como "tão cool que fazem sangrar narizes" - expressão idiomática japonesa. Com os Sparta Locals embarca uma bailarina de Tóquio - a tripulação adverte para a existência de um posto de primeiros socorros em http://naritaruc.blogspot.com/. Este vôo também está equipado com sugestões culturais: esta semana a tripulação do Narita recomenda uma passagem atá dia 30 de Outubro pela Anipop, mostra de animação e cultura japonesa, na delegação do IPJ do Parque das Nações em Lisboa.

08. Sparta Locals - Tokyo Ballerina
09. Bandwagon - One more word

Começaram em 1995 por se chamar Lucy Van Pelt, a amiguinha de óculos de Snoppy. Devido a questões de direitos de autor, mudaram em 1998 o nome para Advantage Lucy. Perseguidos pela tragédia, Aiko e Yoshiharu shizaka são agora os elementos restantes da formação inicial, após a saída do baterista e da morte do guitarrista. Apesar de tudo isto, continuam a fazer música bem disposta. Para ouvir fica Fizz Pop.

10. Advantage Lucy - Fizz Pop

Já a banda tinha tocado alguns concertos quando finalmente Aiha Higurashi decidiu dar-lhe um nome. A inspiração veio de uma faixa dos XTC, e assim apareceram as Seagull Screaming Kiss Her Kiss Her que rapidamente conquistaram uma vasta legião de fãs nos Estados Unidos, chamando a atenção de nomes como Mogwai, Yo La Tengo ou Modest House. Em 2002 a banda chega ao fim - mesmo assim, ainda hoje continuam a ganhar fãs. Não consta da nossa rota de vôo uma passagem pela América, mas ficamos com Down to México das Seagull Screaming Kiss Her Kiss Her.

11. Seagull Screaming Kiss Her Kiss Her - Down to Mexico

Se no Japão abundam nomes de bandas originais, este é dos expoentes das imaginação nipónica. Os Thee Michell Gun Elephant, ou TMGE, foram inspirar-se também ao trabalho de outra banda para arranjarem nome, neste caso aos Damned. Muitas vezes comparados aos Ramones, algo possuídos e muito energéticos, os TMGE transformam este vôo num Electric Circus.

12. Thee Michelle Gun Elephant - Electric Circus

Fundados em Yokohama, os senhores que se seguem são mais um caso de sucesso além fronteiras, concertos frequentes nos Estados Unidos e Reino Unido. Com uma sonoridade algures entre os My bloody Valentine e Pale Saints, os Luminous Orange entram neste vôo com Give a Hint.

13. Luminous Orange - Give a hint

Narita RadioShow

Vôo em rota alternativa de Narita quase a chegar ao fim, não sem antes passarmos pelos Supercar, que é frequentemente comparada a outro ícone da música alternativa, os Radiohead. Formados em 1995, os Supercar foram sempre sendo bem recebidos mas atingiram maior projecção quando o seu tema "Drive" foi utilizado num programa televisivo. No ínicio deste ano, os membros da banda decidiram terminar a viagem para prosseguirem carreiras a solo. Dos Supercar fica até ao momento de contacto com o solo o tema Sunshine Fairyland. Nós por cá, e por lá, no Japão, despedimo-nos, esperando que tenham tido uma boa viagem. Voltamos a embrarca no próximo sábado entre as 21 e as 22h. Mata raisshu.

14. Supercar - Sunshine Fairyland

terça-feira, outubro 25, 2005

NARITA 013 - 2005/10/22

Boa noite. Deste lado a equipa habitual, Fernando Ferreira, Olga do Vale e Sara Mendes, prontos para dar início a uma viagem ao cinema japonês. Viagem 13, agora em nova rota com a grelha de Inverno da Rádio Universidade, todos os sábados pelas 21 horas. Código de embarque: terminal 107.9, aeroporto internacional de Tóquio, NARITA.


Hoje deixamos os desenhos animados de parte e fazemos a nossa primeira incursão pelo cinema japonês. Sem perdermos tempo iniciamos a viagem com um nome incontornável do cinema japonês, Takeshi Kitano.

Equipa de bordo: Fernando Ferreira, Olga do Vale e Sara Mendes.

Destino: OST (Cinemusicorium Japonês)

Alinhamento:

1. Dolls

De 2002 recuperamos os sons que deram cor a Dolls. Filme com uma direcção de arte e fotografia geniais, digo eu, como de resto são pautados tantos filmes asiáticos. Dolls é inspirado em histórias tradicionais de Bunraku, teatro de marionetas japonês. São 3 histórias interligadas e muitos cenários deslumbrantes. A história central é a de um casal misterioso que vagueia pelas ruas unidos por uma corda. A narrativa ocorre em flashback, o que lhe impõe um ritmo muito próprio. Mais uma vez os finais felizes não fazem parte do imaginário de Kitano, e mais uma vez contou com a colaboração de Joe Hisaishi, ele que tantas vezes já passou pelo nosso programa, para sonorizar imagens e personagens.

2. Batoru Rowaiaru - “Battle Royale”

Seguimos viagem com a Banda Sonora de Batoru Rowaiaru - “Battle Royale”, de Fukasaku Kinji. Filme de 2000, que conta com participação de luxo como “Beat” Takeshi e Chiaki Kuryama, ela que 3 anos depois encarnaria a terrível Gogo Yubari em Kill Bill. Battle Royale foi alvo de muita polémica no Japão, não tanto pela violência visual, que lhe é inerente, mas pelas mensagens implícitas. O cenário é um Japão actual, em início do século XXI, onde a crise económica e as elevadas taxas de desemprego geram um conflito de gerações, que despoleta numa rebelião de jovens contra o poder dos adultos. Em resposta a isto o governo japonês aprova uma lei que ficaria conhecida como BR, Battle Royale, que consistia num programa em que vários jovens eram transportados para uma ilha deserta e obrigados a entrarem num jogo para sobreviverem. As regras eram 3: só um podia sobreviver; só podia existir um vencedor; e o jogo só podia durar 3 dias, no fim deste período se houvesse mais que um sobrevivente todos morreriam. Através deste mote e de algumas dezenas de personagens muito características Kinji conseguiu criar um filme complicado e extremamente violento. A Banda sonora ficou a cargo de Masamichi Amano.

Battle Royale teve uma “menos feliz” sequela na minha opinião, uma vez que o primeiro filme me pareceu bastante conclusivo. A história é passada 3 anos após os sobreviventes terem fugido da Ilha. Nanahara e Nakagawa, duas das personagens do primeiro filme estão agora à frente de um grupo terrorista anti-BR. O governo japonês em resposta a este grupo cria uma lei anti-terrorismo com o nome de BRII. Outro grupo de jovens é escolhido e a nova missão é descobrir e matar Nanahara em 72 horas. Um filme menos intenso que o primeiro volume e cuja banda sonora ficou a cargo do mesmo Masamichi Amano.

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Próximo passageiro, um senhor que ficou conhecido pelo polémico “Império dos Sentidos”, Nagisa Oshima. Mas a banda sonora que se segue é a de “Merry Christmas, Mr. Lawrence”. O filme de 1983 é passado durante a Segunda Guerra Mundial. Conta a história de um campo de prisioneiros japonês, na ilha Java, onde estão prisioneiros ingleses. O campo é gerido por um comandante tirano, interpretado por Ryuichi Sakamoto, que cria uma série de regras que geram conflitos com os presos. O CAOS é instaurado com a chegada de um novo prisioneiro, e o equilíbrio será ditado por um Coronel britânico que se encontra preso, mas que compreende ambos os lados do conflito. Um filme com interpretações magnificas de David Bowie, Tom Conti e Ryuichi Sakamato, que além do papel de vilão compôs uma banda sonora extraordinária que acompanha perfeitamente o ritmo do filme.

Recuperamos desta forma a banda sonora de outro filme de Takeshi Kitano, este num registo bem diferente do que é habitual. Filme de 1999 que tem como pano de fundo a história de um rapaz, Masao, que vive sozinho com a avó, em Tóquio. Não tem pai e só conhece a mãe por fotografias. Um dia recebe um encomenda desta, e decide procura-la na cidade onde vive, Toyohashi. No caminho, Masao, encontra um casal vizinho da avó, e o homem decide acompanha-lo nesta viagem, no mínimo marcante. Um filme focado na família, e que apesar de não recorrer à violência visual que Kitano nos habituou, não deixa de ser dramático. A extraordinária banda sono só podia ter saído da imaginação, novamente, de Joe Hisaishi.

Depois de um filem acolhedor, tempo para regressarmos ao cinema violento. Segue-se "Ichi - The Killer". Filme de 2001, realizado por Takashi Miike, tendo sido co-produzido por Japão, Coreia do Sul e Hong Kong. Filme de terror, com os gangs juvenis de fundo, onde a ultra violência chega a ultrapassar o visual, perturbando emocionalmente até os mais corajosos.

Baixamos o ritmo até à terceira longa metragem de Katsuhito Ishii, "Cha no Aji", rodado em 2004. Ishii foi o criador da sequência de animação que pudémos ver em "Kill Bill - Volume I". A história não é de todo nova, retrata a mudança de uma rapariga, e da família, para uma cidade do interior. Um filme com uma estética visual deslumbrante e que também recorre a alguma cenas de animação.

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Na recta final recuperamos um filme de outros dos incontornáveis do cinema japonês, Akira Kurowasa. Sanjuro, realizado em 1962, que não é mais que uma sequela, por assim dizer, de Yojimbo, o samurai que volta à cena. Desta vez, Yojimbo junta-se a um grupo de jovens que pretende acabar com a corrupção da cidade. No entanto o samurai não é propriamente o nobre guerreiro que os jovens pensam. Mais acção, mais drama, mais batalhas e mais uma vez a música de Masaru Satoh a acompanhar.

Minutos finais de NARITA com toda a equipa de bordo pronta para aterrar em segurança. Para mais informações basta dirigirem-se a naritaruc.blogspot.com. Nós por cá, e por lá no Japão, despedimo-nos e voltamos à mesa hora na próxima semana.

Sayounara